BIFACE DO PALEOLÍTICO INFERIOR
Data da notícia: 11 Maio 2020
A ocupação humana na Batalha data de há 300.000 anos e os principais testemunhos são as pedras lascadas encontradas em areias e cascalheiras depositadas pelo rio Lena. Em Casal de Azemel, com cerca de 200.000 anos, foram encontrados unifaces e bifaces que evidenciam uma cultura mais elaborada, fruto de um segundo fluxo migratório destas comunidades.
A ocupação humana na Região da Batalha data de há 300.000 anos, sendo os principais testemunhos as pedras lascadas encontradas em areias e cascalheiras depositadas pelo rio Lena. Pensa-se que foram realizadas por um hominídeo mais antigo que o de Neanderthal, eventualmente uma forma próxima do Homo erectus.
Os vestígios das primeiras comunidades foram encontrados nas zonas de Jardoeira e Casal de Azemel (freguesia da Batalha).
A estação da Jardoeira, com cerca de 300.000 anos, é caracterizada por artefactos correspondentes a uma cultura material ainda muito rude.
Já em Casal de Azemel, com cerca de 200.000 anos, foram encontrados unifaces e bifaces que evidenciam uma cultura mais elaborada, fruto de um segundo fluxo migratório destas comunidades.
A peça que destacamos esta semana é um biface encontrado nas escavações do antigo acampamento de Casal do Azemel. Trata-se de um instrumento lítico, característico do Acheulense europeu.
Considerado o “canivete suiço” pré-histórico, o biface (com duas faces) é uma ferramenta polivalente que se encaixa perfeitamente na mão, para uso dos caçacores-recolectores do Paleolítico Inferior.
O instrumento é constituído por uma zona apontada ou ogival, gumes cortantes laterais e uma base aproximadamente arredondada.
De acordo com o arqueólogo António José Teixeira, enquanto que, na Jardoeira, o instrumento era feito a partir do percutor duro, na zona do Casal do Azemel há uma mistura de percutor duro com percutor elástico ou mole. No percutor duro, a lascagem do instrumento era feita do calhau com o calhau. Já no percutor mole, utiliza-se o percutor duro (numa primeira fase), fazendo-se depois os retoques na zona do corte. Tais retoques eram feitos por osso fresco ou madeira verde, pela elasticidade que tinham estes materiais na absorção de todo o esforço físico do calhau.
CONTEÚDOS AUDIO E VÍDEO:
As primeiras comunidades – áudio guia: https://soundcloud.com/user-703797746/mccb-as-primeiras-comunidades
As primeiras comunidades - Língua Gestual Portuguesa: https://youtu.be/691dQ_5jewk
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